Saúde da Criança

Nesse mês de Dia das Crianças, ressaltamos a importância da vacinação

 

Prevenir doenças e promover o crescimento saudável são os principais objetivos da vacinação de crianças. A iniciativa de criar um Calendário Nacional de Imunização, definido por idades, ajudou a erradicar e combater novas epidemias de doenças com altos índices de contaminação infantil como poliomielite, coqueluche e sarampo. A imunização através de doses de vacina atua estimulando a produção de anticorpos que preparam e fortalecem o organismo contra bactérias e vírus causadores das doenças. Assim, é possível entender (e defender) os argumentos racionais e científicos de quem afirma que a vacina é, sim, a melhor forma de prevenir doenças.

 

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As vacinas são um ganho imensurável, um marco na história da humanidade. 


Existem muitos mitos e argumentos contrários à vacinação, mas é fundamental que você entenda tudo que a saúde ganhou e o quanto a sociedade evoluiu com essa descoberta. 
A vacina é uma forma de “forçar” o organismo a produzir anticorpos para combater uma determinada substância, que ele entende como um corpo estranho. Isso acontece quando injetamos, propositalmente, o agressor que se deseja combater.
A diferença da vacina para a doença efetiva, no entanto, está no agressor: na vacina, ele estará presente em uma forma menos agressiva, ou até mesmo desativado, ou seja, incapaz de produzir a doença. 
A presença no organismo servirá, somente, para que o corpo seja capaz de produzir os anticorpos necessários para combatê-lo, impedindo que a doença seja desenvolvida, mesmo por meio de uma nova exposição e contágio.


Uma breve história da vacina

 
Uma das doenças mais temidas do mundo durante o século XVIII, a varíola, foi a responsável pela invenção da vacina.  
Com uma taxa de mortalidade de 10% a 40%, foi descoberto que os sobreviventes não contraíam a doença novamente. Assim, surgiu a ideia de usar o vírus em uma forma um pouco mais branda, evitando que a doença fosse contraída em sua forma mais agressiva.
Essa prática ficou conhecida como variolação, em função, claro, de ter sido usada para combate específico da varíola.
Em 1798, o médico inglês Edward Jenner compartilhou suas investigações. Ele descobriu que as pessoas contaminadas por um vírus semelhante ao da varíola, porém mais brando, também se tornavam imunes à grave doença.  
Em 1800, a marinha britânica já começava a usar a vacinação, a partir dessas descobertas. No Brasil, as vacinas chegaram em 1804, trazidas pelo Marquês de Barbacena. 
Em 1956, a OMS (Organização Mundial da Saúde) patrocinou um projeto para erradicação da varíola no mundo.  
Em apenas quatro anos, a doença sumiu dos países industrializados e, em 1977, se estabeleceu o único episódio de erradicação de uma doença em uma escala mundial. 
Com esse poder de controle e eliminação de doenças, a vacina é uma importante aliada para a promoção da saúde e ampliação da expectativa de vida dos seres humanos. O Brasil é um dos países que oferece o maior número de vacinas à população.  
São disponibilizadas mais de 300 milhões de doses anuais, sendo 43 diferentes categorias de imunobiológicos: 26 vacinas, 13 soros heterólogos (imunoglobulinas animais) e 4 soros homólogos (imunoglobulinas humanas), utilizadas na prevenção ou tratamento de doenças. 
As campanhas nacionais de vacinação resultaram na eliminação da varíola em 1973, e da poliomielite, em 1989. O vírus da rubéola também é considerado fora de circulação, desde 2009. 
O Brasil ainda tinha conseguido tirar de circulação o vírus do sarampo, tendo sido considerado livre da doença em 2016. No entanto, no final de 2018 o vírus ressurgiu, deixando vítimas de todas as idades e reforçando a importância da vacinação para o controle imunológico do País. 
O programa de vacinação nacional também controla o tétano neonatal, as formas graves da tuberculose, a difteria, o tétano acidental e a coqueluche. Algumas dessas vacinas fazem parte do calendário de vacinação da gestante, sendo etapa essencial do pré-natal. 


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A importância da vacinação na infância 

Bebês, crianças e adolescentes precisam manter suas vacinas em dia, evitando uma série de doenças contagiosas e graves.
É na infância que a maioria das vacinas são aplicadas. Isso porque a criança, além de se desenvolver física e cognitivamente, também precisa evoluir seu sistema imunológico.  
Quanto antes a criança ficar imune contra doenças, melhor para a sua saúde. 
Para recém-nascidos, tanto as primeiras vacinas, quanto as vacinas recebidas por sua mãe, durante a gestação, são fundamentais para a prevenção de doenças. Isso porque seu sistema imunológico ainda é bastante frágil e suscetível a doenças e infecções. 
Para as crianças de até 10 anos, devem ser aplicadas as vacinas e reforços para evitar que a exposição nas escolas facilite o contágio de doenças como difteria, coqueluche, tétano e influenza. 
Já os adolescentes precisam se imunizar contra a meningite meningocócica, já que fazem parte do grupo de maior risco de contração da doença.  
Nessa idade, meninos e meninas também devem receber a imunização contra o vírus HPV, responsável por mais de 90% dos casos de câncer anal e 63% dos cânceres de pênis. O HPV também é um dos principais responsáveis pelo câncer de colo do útero que, em 2018, teve 570 mil novos diagnósticos em todo o mundo.

 
As principais vacinas indicadas para bebês e crianças
 
Confira, na tabela abaixo, as vacinas indicadas pelo Ministério da Saúde para cada idade, bem como as quantidades de doses necessárias para a imunização. 

Idade

Vacina

Ao nascer

BCG Dose única

Hepatite B

2 meses

– Pentavalente 1.ª dose (Tetravalente + Hepatite B 2.ª dose)

– Poliomielite 1.ª dose (VIP)

– Pneumocócica conjugada 1.ª dose

– Rotavírus 1.ª dose

3 meses

– Meningocócica C conjugada 1.ª dose

4 meses

– Pentavalente 2.ª dose (Tetravalente + Hepatite B 2.ª dose)

– Poliomielite 2.ª dose (VIP)

– Pneumocócica conjugada 2.ª dose

– Rotavírus 2.ª dose

5 meses

– Meningocócica C conjugada 2.ª dose

6 meses

– Pentavalente 3.ª dose (Tetravalente + Hepatite B 3.ª dose)

– Poliomielite 3.ª dose (VIP)

– Influenza (1 ou 2 doses anuais)

9 meses

– Febre Amarela (dose única)

– Influenza (1 ou 2 doses anuais)

12 meses

– Pneumocócica

– Meningocócica C conjugada reforço

– Tríplice Viral 1.ª dose

– Influenza (1 ou 2 doses anuais)

15 meses

– DTP 1.º reforço (incluída na pentavalente)

– Poliomielite 1º reforço (VOP)

– Hepatite A (1 dose de 15 meses até 5 anos)

– Tetra viral (Tríplice Viral 2.ª dose + Varicela)

– Influenza (1 ou 2 doses anuais)

4 anos

– DTP 2.º reforço (incluída na pentavalente)

– Poliomielite 2º reforço (VOP)

– Varicela (1 dose)

– Influenza (1 ou 2 doses anuais)

9 – 14 anos

– HPV 2 doses

– Meningocócica C (reforço ou dose única)

 

A importância da vacinação está, como já vimos, diretamente ligada com a prevenção individual de doenças, mas também com a melhora da qualidade de vida e o aumento da expectativa de vida dos seres humanos. 
Com o potencial para controlar e erradicar doenças que muito assombraram nossos antepassados, a vacina é a melhor forma de imunização.  
Através da aplicação do vírus desativado ou enfraquecido, o corpo pode produzir anticorpos para combater a doença, quando houver uma segunda infecção. Assim, se torna imune. 
Graças às vacinas doenças como a varíola, rubéola, poliomielite e sarampo haviam sido erradicadas. A varíola, em escala global! No entanto, em função das discussões e grupos contrários à vacinação, o Brasil já presenciou, em 2018 e 2019, o retorno do sarampo, que resultou em mortes, incluindo bebês. 

Para evitar que outras doenças importantes voltem a ser transmitidas, é preciso reforçar a importância da vacinação: acompanhe o calendário de vacinas do Ministério da Saúde e mantenha sua carteirinha em dia.

É melhor prevenir do que remediar.